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ABEL®  - Acústica Brasileira Engenharia Ltda.

 

 

O PROBLEMA "RUÍDO" NO APARTAMENTO

NORMALMENTE NOSSA EMPRESA NÃO REALIZA PROJETOS DE ACÚSTICA PARA PROBLEMAS DE RUÍDO EM APARTAMENTOS, POIS OS ALTOS CUSTOS DE EXECUÇÃO ENVOLVIDOS EM SUA EXECUÇÃO, ACABAM POR TORNA-LO INVIÁVEL . 

DE QUALQUER FORMA, CONSULTEM-NOS.

 

                  A opção pela moradia em apartamentos tem várias origens. Um grande grupo de pessoas busca uma opção barata.  Outros, por serem sozinhos ou casais sem filhos, procuram um recinto pequeno, de fácil manutenção e que não necessite grandes investimentos nas mobílias.  Existe ainda outro grande grupo de pessoas que busca a segurança contra roubos e assaltos.  Os demais tem preferência pessoal por este tipo de moradia.

                Qualquer que seja o grupo ao qual pertence, o morador fixa sua residência para atender suas necessidades básicas de sobrevivência, fora do trabalho: comer, dormir, higiene pessoal, abrigo, repouso e lazer. Para atender estas necessidades existem: a cozinha, a sala, o banheiro, o quarto de dormir, e as vezes outras dependências. Desta maneira, as residências (e os apartamentos) devem ser projetados basicamente para o repouso e o restabelecimento das condições psicofisiológicas dos seus moradores. Deve ser aprazível.

               

                Um ambiente residencial deve necessariamente significar um local sem riscos ambientais, que proteja seus moradores de agentes físicos, químicos e/ou biológicos.

 

                A adequação ambiental de residências tem muitos aspectos, mas trataremos somente de alguns.

                Sob o ponto de vista térmico (calor e frio), as normas exigem evitar a sobrecarga do sistema termo-regulador do organismo humano. O Homem pode suportar muito calor ou frio dentro de certas condições de intensidade e duração. Na maioria dos ambientes residenciais, pode-se adequar as suas condições térmicas se houver um adequado sistema de ventilação (velocidade, temperatura e umidade do ar em condições controladas).  Um bom projeto de um edifício residencial pode, muitas vezes, permitir uma boa ventilação se valendo das condições naturais de ventos e aragens, se forem previstas aberturas situadas em posições que permitam a ventilação cruzada ou por convecção natural. As janelas de alumínio também emitem calor, por radiação, para dentro do recinto. Muitas vezes a modificação do layout inicialmente previsto poderá reduzir ou mesmo eliminar problemas deste tipo.  Se, porventura, o projeto do prédio não previu estes aspectos, a solução do problema  é, normalmente, mais cara e laboriosa.

                Na questão da iluminação, assim como sob o ponto de vista térmico, o projeto do edifício poderá permitir iluminação natural mediante aberturas, telhas translúcidas, janelas de vidro, etc.  O projeto também deve cuidar para evitar que alem da iluminação, não se permita a entrada de raios solares além do necessário, para evitar a entrada de calor por radiação.  Durante o projeto do edifício, as condições climáticas da região deverão nortear as macro soluções de ventilação e iluminação. Uma região tipicamente fria deverá dar preferência por se utilizar a energia do sol para o aquecimento e insolação apropriado. O mesmo projeto não seria adequado em uma região tipicamente quente. Regiões com muita, ou pouca, chuva, poeiras e/ou gases devem também direcionar o projeto do edifício para as questões de ambientação.

 

É na fase de concepção e projeto do edifício que se decidem os aspectos mais importantes de sua adequação ambiental, e se definem as condições ambientais segundo as finalidades de uso.

                 As questões de ventilação e iluminação de edifícios tem sido exaustivamente estudados e projetados pelos especialistas da construção civil.  Porem, lamentavelmente, nem sempre os pré-requisitos são convenientemente especificados e/ou controlados pelos clientes finais para assegurar a eficácia, a adequabilidade e/ou a sua conformidade.

 

O RUÍDO RESIDENCIAL

                Na questão do ruído, as preocupações e concepções ambientais na fase de projeto dos edifícios podem ser consideradas sofríveis. As razões podem ser várias, mas as principais têm sido a insensibilidade gerencial do investimento, desconhecimento técnico das causas e soluções ou extrema dificuldade financeira para a realização das soluções. Apesar das inúmeras queixas, muito pouco se tem feito para minimizar os problemas de ruído.  Quando se associam os três elementos condicionadores do ambiente: calor, iluminação e ruído, a concepção do edifício residencial , em sua fase de projeto, exige conhecimentos técnicos criteriosos que nem sempre estão disponíveis na contratada (ou contratante) do empreendimento.

                Os projetos, muitas vezes, são idealizados por pessoal sem qualificação profissional; utilizam-se materiais de qualidade duvidosa, as construções são realizadas por pessoal não especializado, e o proprietário não define os pré-requisitos, pois normalmente não é sua especialidade.  O resultado da ambientação residencial tem se mostrado inadequado, inconveniente ou mesmo inaceitável. Os usuários somente tomam conhecimento destes fatos após ter fixado sua residência.  Diversas são as fontes causadoras de ruído em edifícios, e igualmente variados são os caminhos que o ruído percorre até atingir o ouvido.


                As principais queixas de moradores de edifícios de apartamentos, no que se refere ao ruído, são: barulho da casa de máquinas dos elevadores, ruído das instalações hidráulicas, ruídos de vizinhos, ruído proveniente da rua, etc..  Existem reclamações, inclusive, contra vizinhos que roncam durante o sono, ou quando usam o banheiro.

                Todas estas queixas tem razão de existir, pois são extremamente desagradáveis, comprometendo a razão principal de uma residência: o repouso.  A confirmação destas afirmativas é o fato de que tem se verificado um acréscimo de reclamações contra as empresas construtoras e os vizinhos.  Este fato tem causado grandes despesas, não bastasse o prejuízo de relacionamento entre eles.

 

 

OS EFEITOS DO RUÍDO NO HOMEM.

                Pesquisas revelaram sérios efeitos do ruído no homem, tal como: aceleração da pulsação, aumento da pressão sangüínea e estreitamento dos vasos sangüíneos. Longo tempo de exposição ao ruído alto pode causar sobrecarga do coração, tensões musculares e secreções anormais de hormônios, causando uma modificação do comportamento psicofisiológico do individuo, tal como nervosismo, fadiga mental, prejuízo no desempenho no trabalho, dificuldades mentais e emocionais, irritabilidade e ate impotência sexual. Também pode haver uma dilatação da pupila, aumento da produção de hormônios da tireóide, aumento da produção de adrenalina e corticotrofina, contração do estomago e abdômen, reações musculares diversas e contração dos vasos sangüíneos, entre outros.

                Os efeitos e os distúrbios do sono e da saúde do cidadão urbano, devido ao ruído, tem sido revistos nos últimos 20 anos. Em estado de vigília, o ruído até 50 dB(A) pode perturbar, mas é adaptável. A partir de 55 dB(A) provoca leve estresse, excitante, causando dependência e levando ao durável desconforto. O estresse degradativo do organismo começa aos 65 dB(A).  Provavelmente a 80 dB(A) já libera morfinas biológicas no corpo.  O sono, a partir de 35 dB(A) começa a ficar superficial, e a 75 dB(A) atinge a perda de 70% dos estágios profundos que restauram os efeitos orgânicos e cerebrais, pois as funções mais nobres do sono (como restauradoras psicológicas, intelectuais, de memória, do humor, da aprendizagem e da criatividade), deixam de se consolidar.

                Algumas estatísticas em residências revelam uma situação verdadeiramente insuportável. O nível de ruído médio na rua durante o dia, em áreas residenciais, está na faixa de 70 a 75 dB(A). Considerando que o máximo nível aceitável é de 50 dB(A), pode-se afirmar que o cidadão recebe 6,5 vezes mais energia sonora que o máximo aceitável pelo organismo (sem que hajam danos a saúde).  À noite a situação poderá ser, em algumas áreas, mais critica ainda, pois se o máximo aceitável para o sono restaurador é de 35 dB(A) (embora a legislação nacional solicite máximo de 45 dB(A)), e se a área urbana gera cerca de 55 dB(A), a diferença de 20 dB significa 17,4 vezes mais energia sonora que o valor recomendado; e essa diferença deveria ser isolada pela construção da residência, o que raramente ocorre nas construções modernas, pela utilização de materiais mais leves, menos nobres e mais baratos.

 

               

 

SOLUÇÃO INTEGRADA

                O conhecimento dos pré-requisitos necessários ao condicionamento ambiental de uma determinada área residencial (calor, som  e luz) determinarão, na concepção do projeto, uma menor relação custo/beneficio pelo múltiplo proveito das soluções adotadas, se comparada a realização das soluções após a execução física do edifício.

                Por exemplo: a instalação de absorvedores acústicos nas casas de máquinas (elevador e bombas), diminuirá a propagação acústica do barulho gerado para as residências, permitira uma redução do ruído da área (por absorção) e proporcionará algum isolamento térmico do calor irradiado por elas.

                A substituição de um determinado elemento de construção de uma divisória por outro mais eficiente acusticamente, poderá trazer benefícios também na área térmica. A utilização de janelas de vidro duplo, poderá ser uma alternativa para permitir iluminação, melhorar o isolamento acústico e térmico entre áreas.

                A modificação do layout nas instalações hidráulicas poderá reduzir as perdas de carga, evitará ruído por transmissão via sólido e apresentar menor custo de instalação.

                Existem tantas outras variações de solução integrada, que não seria possível descrevê-las aqui.

 

                As soluções conjugadas, por serem uma interpretação inteligente dos conceitos básicos, valorizam o projeto e barateiam as providencias.

 

                Cada caso requer:

                - especificações criteriosas de ambientação voltadas para a adequação ao uso;

                - a escolha adequada dos materiais, e sua disposição, para assegurar a qualidade da solução;

                - o controle dos parâmetros que regem a qualidade do ambiente residencial.

 

 

 

CONCLUSÃO

                 A indústria e a construção civil sempre foram o motor do desenvolvimento, determinando, pelos seus produtos, a qualidade de vida da humanidade e por isso mesmo balizando o seu destino.

                O sucesso de um empreendimento tem sido determinado pelas características de seu produto, de modo a satisfazer, cada vez mais, as necessidades da sociedade no que diz respeito ao melhor desempenho de seu produto, melhor segurança para os usuários, menor consumo de energia, mais conforto na sua utilização, menor ruído e vibração, menor custo, etc..  A condição básica de sobrevivência da construção civil, portanto, é atender as necessidades do usuário final (o consumidor), no que se refere a melhoria da qualidade de vida.

               

                As soluções para ambientação residencial, e melhoria da qualidade de vida, não significam maior custo ao empresário se os problemas forem detectados na fase de concepção do projeto.

 

                Escreveu Joseph Campbell em "O Poder do Mito": "O homem não é mais o recém-chegado a um mundo de planícies e florestas inexploradas, e nossos vizinhos mais próximos não são as bestas selvagens, mas outros seres humanos, lutando por bens e espaço, num planeta que gira sem cessar ao redor da bola de fogo de uma estrela. Nem em corpo nem em alma habitamos o mundo daquelas raças caçadoras do milênio paleolítico, a cujas vidas e caminhos de vida, no entanto, devemos a própria forma dos nossos corpos e a estrutura de nossas mentes. Lembranças de suas mensagens animais devem estar adormecidas, de algum modo, em nos, pois ameaçam despertar e se agitam quando nos aventuramos em regiões inexploradas.  Elas despertam com o terror do trovão."

 

                O tratamento ambiental prévio, ou seja, a prevenção dos problemas, além de ser um exercício gerencial  integrado dos métodos de produção voltado a qualidade de vida, fornece satisfações aos usuários, iniciando o caminho da busca da Qualidade e os rumos da excelência.

      

 

                                             Eng. João Afonso Abel Jankovitz

 

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